sábado, 17 de novembro de 2012

Pamor insano

Em meu caminho a encontrei, tomei-a em minhas mãos e disse:

-Onde esteve à tarde? - Olhei atentamente sua face rubra e ela não me respondeu.

-Ouvi rumores de que estava com Newton!-Disse e seu silêncio confirmou.

-Então é verdade tudo que ouvi, que caiu de amores por ele e que quando diz que vai ao encontro de sua amiga Eva, na verdade vai ao encontro dele, que lhe trata por musa?! -Indaguei enquanto observava com ódio todo seu corpo perfeito em busca de um movimento de negação.

Ela não reagiu.

Tudo que acreditava se transformou naquele momento, tudo era tão claro. Minha primeira reação foi levantar a mão contra ela, então com a descrença total do efeito que almejava e da gravidade da ação hesitei do gesto.

Fixei mais uma vez meu olhar sobre ela, era linda em sua juventude. Sentia seu doce perfume, um pouco cítrico. Todos meus sentimentos e sentidos ficaram confusos e em um súbito movimento abracei-a com força, como se o desatar fosse a morte.

Ela manteve-se fria.

Senti então a pele lisa de sua face junto à minha, e de pouco em pouco encostei meus lábios sobre sua tez, como quem quisesse um último beijo.

Ela não se moveu.

Então foi quando o fiz. Em uma forte mordida, tirei um belo naco do corpo dela! Arrependi-me após o feito, mas a textura e o gosto doce de sua carne me instigaram a uma nova mordida, seguida de outra mordida e de outra mordida... Até que seu lindo corpo, antes arredondado e rubro, tornou-se pálido e esguio, podendo nada mais ser mordido, a não ser seu coração repleto de sementes de um futuro agora sem sentido.

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